Markun aposta em informação relevante
Aula inaugural com o jornalista Paulo Markun propicia debate sobre comunicação.
Foto: Letícia Chiochetta/dvg

Jornalista profissional desde 1971, Paulo Markun já trabalhou em televisão, rádio e revista. Escreveu vários livros, como “Vlado – retrato de um homem e de uma época” e “Anita Garibaldi, uma heroína brasileira”, e também produziu diversos documentários. Atualmente apresenta o programa Roda Viva na TV Cultura, faz comentários políticos no jornal do Terra e preside o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de Santa Catarina, onde reside desde 1998. Na palestra “A roda viva nas carreiras de comunicação”, um bate-papo bem humorado expôs a postura de Markun frente ao trabalho jornalístico e esclareceu as dúvidas dos estudantes.
O profissional que já teve 48 empregos, não aceita desempenhar qualquer tipo de reportagem. “A única arma que a gente tem como jornalista quando não concorda em realizar determinado trabalho é pedir demissão e procurar outro emprego”. Foram por questões éticas que Markun abandonou diversas empresas. No entanto, ele acredita no bom senso, que em alguns casos é necessário “dar um jeito” e realizar a proposta do veículo. A sete anos no Roda Viva, Markun fala que a pluralidade e a liberdade de opinião são mais possíveis numa emissora pública como a TV Cultura e que ele procura sempre abordar questões relevantes, contrariando o pensamento predominantemente lucrativo do mundo da comunicação. “A nossa profissão tem que servir para melhorar o mundo. Algum tipo de ilusão a gente tem que ter”.
Markun coloca que não é a favor da reserva de mercado para jornalistas. Acredita que uma pessoa sem o título universitário pode atingir a mesma competência daquela que o possui. Para ele o mercado de trabalho seleciona o profissional de qualidade. Também foi contra o Conselho Federal de Jornalistas. “Um projeto que me impede de trabalhar porque eu não pago a mensalidade do conselho, eu não posso aceitar. Acho que isso não é maneira de regulamentar a profissão”.
O jornalista trabalhou como assessor na campanha de Luis Inácio Lula da Silva. Acha que o presidente não irá cumprir nem com 10% do que prometeu, entretanto, considera um mérito de Lula não ter feito o que poderia fazer. Julga positiva a conquista esquerdista, pois acaba com a idéia de que basta ter vontade política para fazer alguma coisa.
Inglês, português e filosofia. Exigências para estudantes de comunicação e que deveriam ser fornecidas pela universidade. Na opinião do jornalista, além desses campos de conhecimento, um estudante deve possuir ambição, ousadia e determinação. Esse é o conselho de Paulo Markun aos alunos da Unisinos.
Contra | A favor |
reserva de mercado | bom senso |
Conselho Federal de Jornalismo | ambição, ousadia e determinação |

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